sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

“CAMPEONATO$”??????????????????????????????????????

“CAMPEONATO$”??????????????????????????????????????
COM QUE ENTÃO OS MENINO$ QUEREM “CAMPEONATO$ DE $URF”???????????????
…EM $ANTA CATARINA?????????????????!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!::::::::::::::::::::::::::::::::::::

EstatutosDaCOCOVAMACOmpanhia de COrredores de VAgas de MAr
1.Respeitar a arte de correr vagas de mar, tanto como actividade física, bem como a actividade espiritual, defendo-a de qualquer tipo de agressão que degrade a existência desta dualidade.
4.Defender o livre acesso a qualquer onda, em qualquer lugar, sempre.
6.Ignorar todas as actividades retrógradas, tendentes á anulação ou ao rebaixamento deste prazer de viver, até ao nível de um mero objecto de consumo, de natureza comercial, massificada, egocêntrica, chauvinista, agressiva, violenta, prepotente, sujeita a horários e incómoda para a paz de espírito.
7.O único campeonato que é louvável, é o que e feito no dia-a-dia, dentro da Alma de cada eterno aprendiz da perfeição.
8.A única onda privatizável, é a que é apanhada no ”pico”, ou atrás dele.
9.O único Troféu a cobiçar, é a felicidade pura e simples.

…quem entra (ou se deixa lá ficar) no comboio do “progre$$o”, nem sempre conhece (ou se dá ao “trabalho de conhecer”) todas as e$ta$$õe$ do seu percurso…futuras, para alguns (os que vão nas carruagens de trás), passadas, para outros (os que vão nas carruagens da frente)…para as mansas ovelhas cegas, as futuras, são as mesmas que as passadas…as boas e as más…elas comem de tudo!...:…a carne, as espinhas, as tripas e as escamas…

…entre infinitas coisas boas, SURF, é também uma terapia ocupacional, que suprime as tensões recalcadas (stress), que liberta o corpo e o espírito…:…faz o corpo mais saudável, mais potente…faz a alma brilhar mais intensamente…e isso não tem pre$$o…

…entre infinitas coisas más, $$$$, é também uma alu$$ina$$ão paranóica…:…uma moeda, uma dívida, uma $egueira, uma e$cravatura, uma queda for$ada para o abi$mo apocalíptico da ilu$ão do “lucro”…um buraco negro $em fundo…um gerador de $tre$$e$ e das mais $atânica$ polui$$õe$...onde $e canta “I can get no $ati$faction”…

…misturar estas duas coisas, envenenar a boa com a má…é querer vender o que não tem pre$$o…o que nunca e$tará á venda…é pa$$ar a olhar para um velho amigo e come$$ar a ver um novo inimigo…apena$ mai$ um rival, na ridícula guerra do$ “lucro$” materiai$...é roubar muito a muitos, para dar pouco a poucos…

…afinal…a ORLA COSTEIRA…o DOMÍNIO PÚBLICO MARÍTIMO…esses lugares de energias…de fronteira entre mundos…são PÚBLICOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!??????????????????????????..............................de acordo com o princípio da IGUALDADE, básico alicerce democrático da CONSTITUIÇÃO DA RÉPUBLICA PORTUGUESA…NÃO SE PRIVATIZA, por um instante que seja, O QUE É DE TODOS, para fazer negócio$ privado$ com apena$ algun$ de nó$...as ONDAS, filhas do VENTO e do MAR, netas da LUA, são como o seu avô, o SOL… quando nascem, nascem para TODOS…são GRÁTIS...são um dos melhores prazeres que podemos gozar nestes mundos…daqueles que dão plena “satisfaction”…sereno, saudável, harmonioso, feliz…gratificante!!! brilhante!!!

…limitar o acesso PÚBLICO a uma qualquer ONDA PÚBLICA…para trocar os bons”CAMPEONATOS DE SURF”que todos fazemos A FAVOR DE NÓS PRÓPRIOS, em HARMONIA com os nossos irmãos, em cada ONDA que corremos, no caminho da perfeição, dum futuro crescentemente risonho, colorido e brilhante…para trocá-los por mau$ “CAMPEONATO$ DE $URF”que algun$ de nó$ fazemo$, CONTRA o$ no$$o$ irmão$, em cada ONDA que corremo$, no caminho tri$te do $$$$, dum futuro cre$centemente ba$$o e $inzento, ganan$io$amente egoi$ta…é muito cão ao me$mo o$$o….

…está à vista para quem quiser olhar com olhos de ver: a História psico-social, cultural, espiritual, do SURF mundial e nacional PROVA, repetidamente, ter $ido e$ta uma tri$te ideia…um atentado terrori$ta à Paz de Espírito colectiva…uma pedrada que estilhaçou inúmeras frágeis redomas de cristal, que protegiam magicamente, paraísos perdidos de estilos de vida, de padrões de (contra) cultura, de elevações espirituais…aos mais altos níveis!!!

…os Meninos da Mamã…os Morangos com Açúcar…a Geração Rebelde…alguns já com barba e careca…se qui$erem tocar mú$ica$ que agradem ao$ ouvido$ do$ no$$o$ tri$te$ (algun$) de$governante$...não lhes mostrem uma ideia $ub$ervientemente infeli$…mostrem-lhes mas é, a riqueza rara e oculta, que jaze inexplorada pelas nove Ilhas dos AÇORES…lutem mas é, pela defesa da magia do que ainda é puro, ecossistémico, harmonioso, saudável, feliz …raro…rico…puro…absoluto…

…ne$ta$ CRI$E$ económica$, $o$$ia$, culturai$ e e$pirituai$ em que no$ permitimo$ e$tagnar, pa$mado$ a cair para trá$, a $alivar da$ boca$, a baba $uja e imunda do$ mau$ $$$$...o$ ladrõe$ do mágico, que ainda sendo preciosamente nosso, rareia cada vez mai$ por e$$e$ mundo$ afora…essa magia dos AÇORES, é uma oferta tão rica, que gerida mais que auto-sustentavelmente, com um olho para trás e outro para a frente, dará infinitos cifrões...mas dos bons…dos que não fazem estragos…prejuízos…perniciosas mutações…regressões…involuções…:…EVOLUCIONÁRIOS…

…mas…se os meninos do futuro fizerem birra…se teimarem em $intoni$ar campeonato$ comerciai$, campanha$ eleitorai$, novela$ oca$, futebói$ dementai$, poker$ $o$$iai$, Jack Daniel$ e$pirituai$, verdade$ única$ de cabe$$a$ louca$...este raro recurso, entrará por vossa incúria, na vergonho$a li$ta do que e$tá “EM VIA$ DE EXTIN$ÃO”…


“CAMPEONATO$ DE $URF”?????????NÃO OBRIGADO!!!!!!!!!!!!!!!

…mais cega do que os cegos, é a mansa ovelha que não quer ver…
…em SANTA CATARINA, quem vacila, vai com o lip contra o fundo…
…o raro é caro, tão valioso que não tem preço…
…quem te avisa, teu amigo é…
…pára e pensa…
…mantenham-se na ONDA, Corredores de Vagas de Mar…
…pela COCOVAMA,
João Luís de Albuquerque Pires dos Santos…
9/2/27

9 comentários:

Pedro disse...

Caro João Luis

muitas das considerações que apresenta neste "post" partem de pressupostos errados, respeito a opinião no que aos campeonatos em geral diz respeito, não concordo com ela mas respeito, agora no caso concreto de um cameponato mundial em Santa Catarina ou em qualquer outra onda dos Açores não podia estar mais em desacordo...

tenho muito gosto em poder trocar algumas ideias consigo sobre o assunto (arrudapedro@hotmail.com)

cumprimentos

Pedro Arruda

P.S. um apaixonado pelas ondas, tal como o João Luis

Joaquim Soares disse...

Jack London (1876–1916) foi um dos maiores e mais prolíficos escritores dos Estados Unidos. Apesar de ter vivido apenas 40 anos, foi autor de mais de 50 livros, entre os quais alguns dos mais conhecidos são O Lobo do Mar (The Sea Wolf), O Apelo da Selva (The Call of The Wild), e O Cruzeiro do Snark (The Cruise of the Snark).

No seu livro O Cruzeiro do Snark, Jack London oferece-nos uma crónica da sua extraordinária viagem efectuada pelas ilhas do Pacífico no ano de 1907, a bordo da sua escuna “Snark”. De visita às Ilhas do Havai, London aprende o “Desporto Real”: o surf.


A prática do surf era, à centenas de anos, reservada apenas ao reis polinésios, daí o considerarem, primeiramente, um desporto real. No capítulo VI, que tem exactamente o título “Um desporto real”, Jack London faz uma das mais belas e famosas descrições sobre "a arte de cavalgar as ondas do mar”.


***

“A meia milha, ao largo, onde estão os recifes, as ondas que se formam na calma azul-turquesa lançam-se de repente para o ar, desfeitas em espuma, e vêm em roldão até à areia. Umas após outra, lá avançam elas, expandindo-se numa frente larga, de cristas fumegantes, como batalhões brancos do infindável exército do mar. Fico sentado a ouvir o rugido perpétuo e a ver passar a incessante procissão, sentindo-me mesquinho e frágil perante essa força tremenda, feita de fúria, espuma e som. E imagino, percorrido por um arrepio de apreensão, de medo até: que pode um ser de uma pequenez microscópica contra este mar? Contra esses monstros com a cabeça de touro, alinhados à largura de uma milha e pesando mil toneladas, que se precipitam para a margem muito mais depressa do que um homem em corrida? Que hipótese tem de se salvar? Nenhuma, reconheço mentalmente, sentindo-me ainda mais insignificante e ao mesmo tempo feliz por estar sentado na relva, à sombra das árvores.

E de súbito, ao longe, de uma enorme vaga que cresce para o céu, surge, erguendo-se como um deus marinho no meio do turbilhão branco em revolta, um homem de tez morena, empoleirado em cima de uma crista branca, em equilíbrio instável e precário. Avança veloz por sobre a espuma. Depressa se lhe distinguem os ombros escuros, o peito, os braços e as pernas. No sítio onde, há poucos segundos, só se avistava uma enorme desolação e o rugido invencível do mar, ergue-se a toda a altura um ser humano, erecto. Não se debate freneticamente nas ondas agitadas, não é engolido, esmagado ou fustigado pelos possantes monstros. Pelo contrário: domina-os, calmo e soberbo, pousando naquelas cristas movediças, com os pés cobertos por redemoinhos de espuma, a poalha dos salpicos a erguer-se-lhe até aos joelhos e o resto do corpo ao ar livre, sob a deslumbrante luz solar. É como se voasse pelo ar, seguindo sempre adiante e deslocando-se vertiginosamente, à velocidade das ondas que cavalga. É o deus Mercúrio – um Mercúrio de pele escura, com calcanhares de asas céleres. Na realidade, vindo do mar, saltou sobre o dorso de uma onda trovejante que, debatendo-se, procura em vão fazê-lo cair. Não perde a estabilidade nem tem de fazer movimentos bruscos para se equilibrar. Impassível e imóvel como uma estátua miraculosamente esculpida nas profundezas de onde surgiu, avança sempre em direcção à margem, com as tais asas nos pés e montado na crista branca. Depois, a espuma salta em todas as direcções, ouve-se um estrondo tumultuoso quando a onda se quebra, vencida e sem forças, na areia aos nossos pés; e é aí, aos nossos pés, que chega tranquilamente a terra um canaca com a pele bronzeada reflectindo o brilho de ouro do sol tropical. Minutos antes, parecia um pequeno ponto no horizonte. Montou «a vaga com boca de touro» e o orgulho que o feito lhe inspira evidencia-se na atitude do seu corpo magnífico quando, por um momento, fixa em nós, sentados à sombra, um olhar despreocupado. É um canaca… e, mais Aida, é um homem, um membro da espécie superior que dominou a matéria e a força bruta e impera sobre a criação.

Faz-nos pensar naquela manhã fatal em que pela vez derradeira Tristão desafiou as águas; e também reflectir que aquele canaca fez o que Tristão nunca consegui, conhece a alegria do mar que Tristão nunca conheceu. Faz-nos pensar mais: é delicioso uma pessoa deixar-se ficar à sombra fresca das árvores da praia; no entanto, somos, como o canaca, representantes da superior raça humana e podemos fazer o mesmo que ele. Então, toca a despir estas roupas incómodas neste clima ameno; toca a enfrentar o mar; toca a acrescentar asas aos pés, recorrendo a toda a força e habilidade de que somos capazes; toca a enfrentar as ondas, a dominá-las e a montar-lhe a garupa como um rei!”


Jack London

In, O Cruzeiro do Snark. Edições Antígona, Lisboa, 1998.

Joaquim Soares disse...

Amigos,

Serviu o post anterior, com a descrição da arte de cavalgar ondas do mar feita, magistralmente, por Jack London, para evocar uma visão, um sentimento e um espírito que escasseia cada vez mais no coração de muitos corredores de vagas do mar.

É uma visão, em meu entender, em tudo semelhante àquela que o João Luís e mais uns poucos procuram manter bem viva. E esse “grito” de revolta, essa mensagem de alerta contra os ditames da cultura oficial, deve, a todo o custo, ser apoiada por todos aqueles que sentem que as coisas não têm de ser assim, por aqueles que acreditam que não existe apenas uma única forma de fazer as coisas, por aqueles que não aceitam a inevitabilidade de um caminho apenas.

Goste-se ou não da forma como o João coloca a questão, a verdade é que ele toca no essencial. E a questão essencial, a meu ver, é que poder-se-ia conduzir as coisas de outra forma, não caindo nos vícios e nos erros que transformaram irremediavelmente outros locais para pior, ou pelo menos para uma situação que agora obriga a que muitos se unam para recuperar “algo” que se perdeu. É exactamente esse “algo” que está ainda bem presente nos Açores!

Sei das boas intenções e voluntarismo de todos aqueles que estão envolvidos, directa ou indirectamente, no desenvolvimento do surf e bodyboard açorianos, na organização dos clubes e escolas de surf. O que gostava que soubessem, ou que não esquecessem, é que existem outros caminhos para lá daqueles que vos querem “impingir”. O desenvolvimento do surf e bodyboard nos Açores é um caminho sem regresso, e que pode e deve trazer benefícios para todos os praticantes. As ilhas mágicas têm um potencial que não existe em mais nenhum lugar do continente.

Porém, tenhamos em mente o seguinte: as gerações mais novas e as gerações futuras têm o direito de usufruir da “pureza”, da naturalidade e da genuína forma de estar dos açorianos; têm o direito a comungar com a natureza de uma forma o mais livre de interferências possível; têm o direito de crescer não apenas num ambiente de competição (que percorre todas as áreas da sociedade, da escola ao trabalho) mas, acima de tudo, num ambiente de cooperação e respeito mútuo.

É a cultura e a propaganda oficial e a educação actual que nos incute um modelo único de progresso e desenvolvimento, que nos faz crer que todos temos de ir pelo mesmo caminho, que nos faz sentir mal se não seguirmos o “rebanho”, que nos provoca o abandono de ideais que consideramos correctos e justos.

Para quem vive mergulhado no paradigma actual não consegue (ou não quer) compreender que esse mesmo paradigma está em colapso, tem os dias contados, e que não servirá para os cidadãos do futuro. E o paradigma actual da “cultura surfista”, assente que está em pressupostos economicistas e utilitaristas, está ultrapassado… não (ainda) no presente, mas no futuro que em breve despontará.

Compreendo que para muitos é mais fácil “vibrarem” com uma vitória de um “Sacca” ou de um “Slater” do que associarem-se na luta pela defesa do património natural (como é o caso de Santa Catarina); é mais fácil ficar fascinado por um “Cadilhe” do que por umas “babuzeiras psicadélicas” de um ou dois surfistas da velha geração (embora estes possam até ter mais a ensinar); é mais fácil ficar enfeitiçado pela “onda” cool dos surfistas de revista que pululam pelas praias do continente do que pelo bodyboarder ou surfista “gadelhudo” que carrega os mantimentos às costas para apanhar apenas umas ondas longe do alvoroço das cidades; é mais fácil criar 2 clubes e organizar um circuito regional de 10 etapas (!) do que ter coragem para unir o “crowd” e embarcar num projecto mais ambicioso e inovador…

Pessoalmente julgo que os Açores poderiam “liderar”, ou melhor, “inaugurar” um outro paradigma de desenvolvimento do surf e do bodyboard centrado em outras premissas e nas características únicas das ilhas, do seu povo e destes dois desportos (modos de vida ou formas de relacionamento com a natureza). Porquê seguir o caminho já batido que transformou outros locais e culturas? Porquê seguir o caminho que quase todos seguem aqui no continente? Porquê fazer as coisas da mesma forma? Por que não se une a comunidade de surfistas e bodyboarders dos açores em torno de um projecto mais vasto, amplo e realmente inovador? Porquê seguir aqueles que perseguem (pouco mais do que) o lucro, a fama, a posição social?

Não têm obrigatoriamente que seguir os passos que todos os outros seguiram, em muitas outras praias e muitos outros locais. Têm sim de seguir e deixar-se guiar por aquele “espírito” que existe aí nos Açores e que à muito foi esquecido aqui pelas bandas do continente.

Mas para muitos, é mais fácil e atractivo seguir o canto das sereias…


P.S.: Já agora, deixo aqui um convite para o Pedro Arruda: em vez de convidar o João Luis à troca de ideias através do seu mail pessoal, faça-o aqui, no COCOVAMA. Julgo que muitos de nós teríamos TODO O GOSTO em ficar informados das suas posições e dos seus pontos de desacordo. Eis mais uma das coisas que, pelo que parece, tem faltado por essas bandas: debate!

Altar Mar disse...

Ao que parece os Açores e Madeira têm várias lições ou formas de estar que deveriam ser vistas e ouvidas pelo resto na comunidade portuguesa que se faz ao Mar para apanhar ondas.

No ano passado na Madeira foi boicotado pela comunidade local um campeonato organizado pelo herédia e pela oneil (acho que está mal escrito mas não faz mal), bem como a intenção de realizar naquela ilha uma etapa de um qualquer circuito mundial. Parabéns aos Madeirenses pelo empenho e pela clareza de espírito.

No caso dos Açores até á 3/4 anos gozavam de uma protecção especial e estavam (felizmente) esquecidos pelos abutres do surf/bodyboard comercial. Esta situação começou a mudar e algumas mentalidades enverdaram pelo caminho que lhes é impingido pelos surf/bb media que tendem a querer transformar a Arte de Correr Vagas de Mar num desporto circense onde pela exploração das Ondas se quer encher o bolso.

Recentemente os Açores ganharam novos e falsos "amigos" vindos de todo o lado que sob a fachada de se quererem juntar ao salutar e corajosos movimento de preservação das Ondas, o que que pretendem é implementar um modelo surfistico baseado no business, nos campeonatos e exploração e divulgação. Dizem eles que isso é fundamental para que se protejam essas mesmas ondas. Nada mais errado. O que protege as Ondas de serem destruidas é a vontade e dedicação das comunidades em empenhar-se em preservar o seu património e não os campeonatos ou a divulgação internacional.

Como já foi referido existem várias formas e caminhos a seguir. Certeza tenho que o modelo do continente, das californias e dos havais não é o correcto pois promove a violencia dentro e fora de água, a redução do acto de surfar ao nivel do objecto de consumo entre outras maleitas e por incrivel que pareça não consegue preservar as Ondas de serem destruídas.

É necessário uma revolução de mentalidades e essa (re)evolução depende de cada um de nós. Ou seremos uns cordeiros mansos fanáticos pelas marcas, surf-stars e toda essa macacada que não interessa para nada, ou nos transformamos em Corredores de Vagas conscientes que não se deixam reduzir a meros consumidores

Ao que parece esta revolução de mentalidades já começou. Parabéns aos Bravos das Ilhas pelo seu importante contributo neste sentido.

Cumprimentos a todos os que se empenham nesta causa.

F.

Joaquim Soares disse...

Amigos,

Penso que é legítimo e pertinente reflectir sobres esta questão:

Como e por que um local que não tem por tradição acolher grandes eventos de surf ou bodyboard, e tem uma diminuta população de surfista e bodyboarders, vai abrigar durante 2009 os seguintes eventos:

1 Etapa do Circuito Nacional de Bodyboard;
1 Etapa do Circuito Nacional de Surf;
1 Etapa do Circuito ASP/WQS
1 Etapa do Circuito Mundial da IBA;
1 Circuito Regional de Surf, com 10(!) etapas

???

É, de facto, um caso notável de "progresso" repentino! Notável!

Bem, nós até já estamos habituados a estas "façanhas" organizativas. Com o beneplácio ($$$) do governo e a ousadia de meia dúzia de dirigentes desportivos e políticos visionários, não se organizou um Europeu de Futebol? E até se consta que foi um dos mais bem organizados de sempre (apesar de se ocultar as dividas de milhões de euros que sufocam algumas camaras dos municipios onde foram construidos alguns estádios).

E até já temos presidentes camarários a proclamarem o seu municipio como Município do Surf!

Provavelmente, com o apoio de uma qualquer secretaria regional, também não é dificil organizar Campeonatos Nacionais, Europeus e Mundiais nos Açores - o arquipélago mais apetecido dos últimos tempos. Políticos não faltam, dirigenstes desportivos também não, e um ou outro visionário também já se apresentou.

Mas porque se haveria de ter medo de tudo isto?

Não contribuirão todos esses eventos para o desenvolvimento do surf nos Açores?

Não irão estes campeonatos fazer uma merecida e necessária divulgação das ilhas açoreanas como destino turístico?

Não ganhará o comércio e gentes locais com a afluência de dezenas e dezenas de competidores, staff técnico, fotógrafos e tutti quanti?

Não merecem os jovens surfistas e bodyboarders dos açores (ou melhor, de São Miguel prinicipalmente) poderem ver e estar lado a lado com os "prós" que só vêem em revistas?

Não estarão certos aqueles que têm, como o Vitor Soares de São Jorge, "a firme ideia de que o surf poderá ser uma das portas para o desenvolvimento do turismo"?

E não terá razão o mesmo Vitor quando diz que os açorianos têm "sido constantemente absorvidos por tudo e todos até pelas opiniões dos que não vivem aqui, nem lidam com os nossos problemas do dia a dia"?

Estas são algumas das perguntas de alguém como eu - que "não vive nos Açores e, por isso, não lida com os (vossos) problemas do dia a dia, mas que têm esses pedaços de Atlântida no coração - gostaria de deixar aos seus amigos nas Ilhas...


Abraço.

Carlos Leal disse...

Caros,

Não consigo passar indiferente sem manifestar-me... a paz é podre sim, mas a guerra também não resolve nada!

Infelizmente, o comboio obriga-nos, pela FORÇA DA RAZÃO e não pela EMOÇÃO, a apoiarmos algo maior, mais organizado, mais sério, mais enquadrado no mundo real que aí está, com todos os trâmites que lhes vêm associados!

Sou local, sou AÇORIANO, e respeito muito a BASE, o FUNDO por que se rege a COCOVAMA, mas não é essa a forma que vai solucionar o problema de SANTA CATARINA. Eu
também queria acreditar que era possível juntar muitas cabeças e "unir o crowd", mas o português é preguiçoso, não se mexe, só quando as coisas desabam na cabeça, depois chora... e num meio pequeno como é a TERCEIRA, é mais fácil para a maioria criticar a mensagem que se tentou passar, do que sequer comparecer para dar nem que seja apoio moral.

Mas será essa a mensagem que vai passar? São ELES QUE DETÊM O PODER e não NÓS! SÃO ELES!

Agora existem condições para conjuntamente proteger o que é NOSSO E DE TODOS, acabou o egoísmo e ocultismo, ninguém vai privatizar SANTA, porque naquela onda os LOCAIS, muitos deles nem têm 18 anos, SABEM OS DIREITOS QUE TÊM e desde que haja respeito e bom senso, não vai ser um campeonato ou 2 que vão fazer um filme de terror da realidade "surfística" da Terceira. Falo como bodyboarder que sou "ou rastejante" ou "boogye" como quiserem os mais sábios, mais antigos, também faço umas de pé, mas digo-vos se alguém vai ser afectado com isso são principalmente os bodyboarders, e há sempre os corredores de vagas (deitados!) que entram em condições que muito poucos entram ali, por isso...

Os políticos falam aquela língua que nós sabemos, se falarmos outra eles simplesmente ignoram-nos e ainda nos lixam com pedra e merda, com desprezo e gaitadas... essa é q é essa!

É tudo muito puro e bonito, mas como disse o Vítor de S.Jorge e bem, o consórcio SURF+TURISMO+NATUREZA+DESPORTO pode ser a salvação de muitas ondas, e não o ideal "VAMOS MANTER A ONDA SÓ NOSSA E DOS NOSSOS AMIGOS, MUITOS DESSES SÓ SÃO AMIGOS QUANDO CÁ ESTÃO..."

Não se esqueçam do vosso passado, sabeis do que falo, quer sejam de cá ou de "fora", respeitem o direito dos mais novos, de tomarem as decisões como Vós tomastes no passado e serem livres de apoiarem aqueles que lutam pela MESMA CAUSA, só que uns são MINIMALISTAS, eu sou, o que quero é que as ondas estejam lá, outros querem mais do que isso, mas se as ondas desaparecerem, quero ver a conversa que virá depois...

Em jeito de conclusão:

CONDIÇÃO IDEAL: COMO ERA HÁ 25 ANOS

SITUAÇÃO ACTUAL: COMBOIO DESENFREADO

MELHOR ALTERNATIVA: SERIA OUTRA, SIM, MAS NÃO HÁ UNIÃO NEM ORGANIZAÇÃO PARA ISSO, E MUITOS INTERESSES PESSOAIS METIDOS, SIM, NÃO SÓ DAS MARCAS MAS DE MUITA GENTE FORA DESSE CÍRCULO... tirem as conclusões que quiserem,

EXCLUINDO A EMOÇÃO, SIM FAÇAM OS CAMPEONATOS, PODE SER QUE OS NOSSOS FILHOS AINDA SURFEM SANTA E NÃO UM MONTE DE PEDRA e MERDA!

Essa é q é essa, prefiro ficar a ver campeonatos no calhau daqui a uns 10 anos do que um monte de pés de galo! Não tenho a mínima dúvida!

Serei um vendido por isso?
Serei um viciado do sistema?
Um puto que não sabe do que fala, talvez para os antigos seja, mas a minha opinião é esta e não falo só por mim, acreditem!

É muito fácil dizer "diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és", mas há coisas mais importantes do que nosso interesse actual, o interesse das gerações futuras, se não puderem usufruir da qualidade de surf que hoje exista, ao menos possam FAZER SURF!

Não tenho medo e se tivesse comprava um cão!

Respeito pelos demais.

Com muita humildade (para quem me conhece)

Carlos Leal

Altar Mar disse...

Carlos,

Já tivemos várias e longas conversas sobre estes assuntos e no geral estamos em sitonia. Parece-me que neste caso, e pela inexistência de muitas opções, se supõe que a realização de campeonatos em Santa ou noutro lugar é a solução para a preservação das ondas. Campeonatos só por si não adiantam absolutamente nada para este caso, pois para um politico é absolutamente indiferente se os que surfam Santa estão no free-surf ou em competição, se estão organizados com uma associação tipo Cocovama ou outra meramente desportiva. Os campeonatos como salvação mágica são uma ilusão que tráz as consequencias já apresentadas sem qualquer vantagem verdadeiramente real.

No Jardim do Mar era realizado anualmente um campeonato internacional de ondas grandes e isso não impediu a construção de um monstrengo de pedragulho que danificou a onda. Existem vários casos deste espalhados pelo mundo e isto é uma realidade.

Face a um mal maior todos os males menores podem parecer válidos, mas na realidade não irão resolver nada. Dado a minha situação actual, não me sinto com legitidade para específicamente ser contra ou a favor da realização disto ou daquilo, pois essa decisão caberá áqueles que directamente vivem a situação e os problemas. Pessoalmente acho que os campeonatos são uma inversão daquilo que é surfar (no meu ponto de vista) ao mesmo tempo que não resolvem nada, e nisto concordo totalmente com o João Luís.

Gostaria de poder ter um empenho físico e activo nesta causa, dado esta impossibilidade, deixo apenas a minha opinião.

Um grande abraço e seja qual for a decisão tomada espero que tenha como resultado podermos daqui a 10 anos arrancar numas atrás do pico, como fizemos muitas vezes no passado.

F.

Perna disse...

Olá !

Alguns dos meus amigos, dos meus maiores amigos, como eu partilham o prazer de correr vagas de mar ou surfar e claro como indivíduos têm a sua forma de estar e de viver e consequentemente uma forma de viver o surf que é uma parte importante das suas vidas, estranho seria que como indivíduos partilhassem todos a mesma forma de estar, no entanto penso que têm algo em comum, o amor ao mar, aos prazeres da vida e um grande apreço á amizade que nutrem entre si, nisso sim acho que aí podem ser considerados uma “tribo”.
Como a velha polémica campeonatos ou não campeonatos se tem manifestado nos últimos tempos venho também partilhar a discussão dando a conhecer o resultado da minha experiência de vida de 47 anos e 28 de surf ou a falta dela… vá-se lá saber, teve na forma como me apercebo e entendo a questão.
Partindo do princípio que o surf é uma experiência enriquecedora que nos aperfeiçoa e que a liberdade é uma evolução, só posso pensar que não tem obrigatoriamente de haver campeonatos nem obrigatoriamente não os haver depende da vontade de muita gente, e de outros factores.
Os que melhor me conhecem sabem que preferiria umas boas surfadas ao trabalho de organizar um campeonato, no entanto também tenho que dizer que das poucas vezes em que participei em eventos desses, a nível “caseiro” mas até bem organizados me diverti.
Se me dessem a opção de optar entre ter as nossas ilhas como eram para aí no ano 1000 em termos de surf ou viver nas “Surfing Olimpic Islands of Azores” preferiria partilhar convosco a primeira opção, no entanto não vejo sinceramente problema em que haja campeonatos uma vez que na realidade não podemos viver no ano 1000 e também nunca seremos as “Surfing Olimpic Islands of Azores” .
Convirá talvez reflectir que mais vale sermos realistas e estarmos alerta e organizados para que as nossas opiniões tenham força seja na defesa do nosso património aquático ou na forma como se realizam eventos competitivos na nossa terra, garantidamente se não tivermos uma opinião e uma dinâmica sobre o assunto alguém ocupará o “espaço” sobre qual temos á partida mais direitos, saibamos portanto utilizar a visibilidade que esses eventos possam dar ao surf no sentido de o desenvolver, proteger á nossa maneira, a realidade independentemente de gosto ou preferência é que mais vale um WQS em cima do recife da Santa ou das areias dos Areias do que um montão de Tetrapodos e no mundo do dinheiro infelizmente se não formos “bilingues” corremos o risco de falarmos sozinhos e ninguém alem de nós nos ouvir.
Espero que todo este paleio não tenha sido aborrecido e que o vejam como uma opinião aberta e sincera sem querer influenciar ninguém e também de dar um olá aos amigos com quem não tenho o prazer de conviver com mais frequência.
Um Abraço do Perna.

manuel disse...

qualquer dia querem surfar com um irmão nas calmas no cool da terceira e vão ver o pico da princesa atulhado de bifes e afins, ao ponto de quererem cavalgar uma e não conseguirem.... e mais... a serem insultados na propria casa ... continua J.L. Santos, talhadaredalhagora....

Balseiro, com coração na terceira

p.s.: Não a estraguem mais do que já está